Um Depoimento do Coração.

Desde sempre tive um certo fascínio sobre a cultura oriental, quando criança lembro-me que em minha sala de aula havia 4 ou 5 descendentes de japoneses, alguns jogavam beisebol, outros praticavam judô ou karatê e eu achava aquilo fantástico, parecia que eles tinham um mundo dentro de outro mundo e sempre pensei que fosse exclusivo, com 15 anos de idade mais ou menos resolvi praticar judô, um amigo me emprestou um kimono e lá fui eu todo corajoso, porem foi uma experiência decepcionante para mim. Aquele espírito de competição, um querendo vencer o outro, ou mostrar que era melhor fosse nos exercícios fosse lutando não me fez bem e com quase quatro meses treinando resolvi abandonar o judô.

Quando me mudei para Florianópolis para estudar, fiz novos amigos e um deles o Guto, praticava aikido, uma arte marcial que até então nunca havia falar e me interessei por saber como era, então o Guto me explicou, sobre o Fundador do Aikido Morihei Ueshiba, e como eram os treinos, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato desta arte marcial, não existir competição o que me deixou muito a vontade para “experimentar” esta arte marcial, combinei então com o Guto de ir assistir um treino pra ver como era. Chegando no Dojo, senti um clima muito agradável e harmonioso, algumas pessoas praticavam no tatame,
outras conversavam num clima muito descontraído, então, meu amigo me apresentou ao Sensei Carlos que me deu as boas vindas e me convidou para fazer um treino experimental que eu aceitei prontamente.

Começamos o treino e eu estava completamente perdido, então resolvi imitar tudo o que os outros faziam, mas era difícil acompanhá-los então o Sensei pediu a uma faixa marrom chamada Sandra para me orientar durante o treino (hoje Sensei Sandra faixa preta 2º grau), o Sensei dizia alguns nomes em japonês os quais não tinha a menor idéia do que significavam, tomei alguns tombos, tentei fazer uns rolamentos, mas parecia um dado de tão quadrado que saiam, no finzinho da aula olhei vislumbrado ao meu primeiro jiu-waza, mais do que o Aikido como arte marcial, o que realmente fez com que eu me apaixonasse pelo aikido neste dia foi o tratamento respeitoso e harmonioso que recebi de todos os colegas de treino, a dedicação e empenho do sensei para com os alunos e vice-versa, a amizade e acolhida de todos e entre todos, tudo isso mostrou-me um caminho que a muito desejava trilhar, mas o qual não havia encontrado o início até então. Mas este foi o primeiro passo deste caminho o qual pretendo percorrer por toda a minha vida e por isso estou ainda muito longe do fim e muito perto do início. Mais que um caminho para fortalecer o corpo é um caminho para fortalecer a mente e a alma daqueles que propõe-se a trilhá-lo. No Kawai Shihan Dojo, tenho muito mais do que ensinamentos de Aikido tenho uma Família unida pelo Aikido a Arte da Paz.

“Pratique a Arte da Paz com sinceridade, e os maus pensamentos e más ações desaparecerão naturalmente. E o único desejo que deve permanecer é a sede por capacitar-se cada vez mais em seu caminho”
Morihei Ueshiba – Fundador do Aikido.

Júlio César Giordani de Souza
Praticante de Aikido
Kawai Shihan Dojo

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